terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Chullage - Eles Comem Tudo



Eles Comem Tudo,
por Chullage


"E a finança enche a pança
com o aval da liderança,
despedimentos em vez de aumentos,
são os rumos da mudança,
especuladores, ladrões de ofícios,
grandes salários e benefícios,
bebem o fruto do nosso suor
e depois pedem-nos sacrifícios,
apoderam-se da gerência,
levam empresas à falência,
saem com bónus de milhões
e despedem sem clemência,
e o salário mingúa
pra que o lucro não diminua,
justificam-se com a crise
e os bancos põem-nos na rua,
saem do público prò privado
depois do futuro adjudicado,
vendem serviços a eles próprios
pilhando os cofres do Estado,
combatem o défice na nossa mesa
mas vivem à grande e à francesa,
congelam salários e subsídios
que é pra cortar a despesa
fazem-nos retenção na fonte
enquanto empresas põem-se a monte
no paraíso fiscal pra lá do nosso horizonte,
impõem um empréstimo em troca de soberania
enriquecem com os juros e sufocam a democracia.

Cortam na educação,
exigem mais avaliação,
abandonam o ensino público,
mas os seus filhos lá não estão
Saúde também leva pancada,
comparticipação cortada,
morremos na fila de espera,
eles estão na clínica privada,
falam de paz e democracia,
em igualdade, cidadania
e dão-nos o direito de escolha
prò próximo rosto da tirania
entram tanques e aviões,
chamam paz a ocupações,
deixam rasto de sangue
na riqueza das nações,
trazem servos e minérios
deixam escombros e cemitérios,
enriquecem a reconstruir
os seus velhos impérios
prò mundo levam do Ocidente
os seus restos e excedentes
em nome da ajuda humanitária
destroem a economia da gente
e entram máquinas adentro
expulsam-nos dos nossos alojamentos
(...) empresas de cimento
e fazem grandes empreendimentos
dos seus condomínios fechados
com seguranças e empregados
afastados da miséria
e ódios por eles criados.

Vêm com o grande capital
e abrem o centro comercial
catedral do consumo
e matam o comércio local,
nas terras dos outros enchem carteiras
fazem turismo com peneiras,
refugiam-se na fortaleza
e fecham as suas fronteiras
fazem crescer economias
parasitando minorias,
os últimos a quem reconhecem
liberdades e garantias,
cruzadas evangelistas
holocaustos sionistas
vão conquistando mundo
na caça aos fundamentalistas,
pregam a fé dos belicistas,
queixam-se de guerrilhas e bombistas
pela contagem das vítimas
mas eles é que são os terroristas
impunes a roubar milhões
prendem os pequenos ladrões
que neste país pilhado
digladiam-se por uns tostões,
depõem o inimigo eleito
e põem o amigo do peito
a manejar as marionetas
do colonialismo refeito,
aumentam o orçamento
prà guerra e o policiamento
pra conter o descontentamento
esse é o crime violento
pra se proteger da multidão
que só quer pão e habitação
eles comem tudo que há pra comer
e deixam-nos a estender a mão."

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